A importância da Avaliação Ecográfica do Líquido Amniótico


18 Fev 2020
A importância da Avaliação Ecográfica do Líquido Amniótico

Líquido Amniótico

O líquido amniótico é um componente importantíssimo da gravidez. Tem origem tanto materna (circulação sanguínea placentária e parede uterina) quanto fetal (pele, rins, pulmões, cordão, membrana amniótica, etc.). Seu volume é crescente durante a gravidez, até a maturidade fetal, quando então decresce progressivamente após 37 semanas. Sua renovação (formação e absorção) é intensa, notadamente no terceiro trimestre.

A avaliação ecográfica do volume do líquido amniótico é importante, pois é um indicador de saúde e sua alteração está relacionada com várias condições de risco materno e/ou fetal.

O volume amniótico faz parte da avalição rotineira da ultrassonografia obstétrica e pode ser diagnosticado de forma subjetiva (experiência do examinador), pela medida da altura do maior bolsão (local com o maior acúmulo de líquido) ou pela medida do índice de líquido amniótico (ILA, que é a soma das medidas das alturas do maior bolsão de cada um dos quatro quadrantes da cavidade amniótica).

O ideal é procurar os bolsões de líquido amniótico com a janela do Doppler colorido acionada, para evitar confusão com o cordão umbilical. A imagem 1 mostra a cavidade amniótica normal (normo-hidrâmnio).

 

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O volume amniótico aumentado (poli-hidrâmnio) tem uma incidência entre 0,2 e 1,6 das gestações. Suas principais causas são: malformação fetal (p.ex. aparelho digestivo), insuficiência cardíaca fetal, isoimunização, diabetes materno, infecção fetal, gravidez múltipla, tumor placentário e sem causa definida (idiopático). A imagem 2 mostra a cavidade amniótica aumentada.

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O volume amniótico diminuído (oligo-hidrâmnio) tem uma incidência elevada, variando entre 8,5 a 15% das gestações. Suas causas são amplas e podem ser: amniorrexe prematura, patologia materna, patologia fetal, patologia placentária e idiopático.

A ruptura prematura da bolsa amniótica (amniorrexe) com perda de líquido amniótico pela vagina leva à risco de infecção (materna e/ou fetal) e prematuridade.
 


A imagem 3 (cavidade amniótica diminuída e Doppler colorido mostrando o cordão umbilical), a imagem 4 (fisiologia fetal normal) e a imagem 5 (placenta com perfusão vilositária normal) foram obtidas em caso de amniorrexe prematura.

 

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As gestantes podem apresentar anormalidades que provocam a diminuição do líquido amniótico, como por exemplo: desidratação, perfusão sanguínea uterina alterada, hipertensão arterial, uso de alguns medicamentos, doenças renais, etc.

Os principais problemas fetais que levam ao oligo-hidrâmnio são as infecções e as malformações do aparelho urinário. A imagem 6 foi obtida em feto com doença cística renal e oligo-hidrâmnio.

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A insuficiência placentária provoca quadro crônico de desnutrição fetal (restrição do crescimento) e hipóxia fetal (sofrimento crônico).

 

A imagem 7 apresenta placenta com infarto cicatrizado e líquido amniótico diminuído.

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A imagem 8 foi obtida em caso de sofrimento fetal crônico com alteração grave da perfusão sanguínea placentária.

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Imagem 8

 

Finalmente, podemos identificamos casos raros de oligo-hidrâmnio idiopático (sem causa identificável). Devemos exercer vigilância rigorosa com avaliação seriada da mãe, da placenta e do feto, para evitar uma interrupção prematura desnecessária da gravidez ou deixar passar uma condição de risco à saúde fetal.

 

 

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